O QUE ESTÁ A ACONTECER COM O CLIMA?
 

O clima do mundo está a mudar a um ritmo e de uma forma sem precedentes. De furacões que afetam comunidades no Caribe ao aumento do nível do mar que ameaça vidas e meios de subsistência no Pacífico, ondas de calor e secas em toda a Europa e pessoas deslocadas no contexto de eventos climáticos extremos, inundações e secas, os efeitos das alterações climáticas já estão a ter impactos nos direitos humanos, incluindo o direito à alimentação, água e saneamento, habitação decente, saúde, segurança pessoal e até à própria vida.

Sabias que...?

As alterações climáticas afetam desproporcionalmente as pessoas mais desfavorecidas do mundo - aquelas que são as mais pobres, mais expostas e têm menos recursos para suportar choques e tensões climáticas, como eventos climáticos extremos, (UNFCCC, 2021).

Desde a revolução industrial, que as atividades humanas têm emitido gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera, alterando assim o equilíbrio climático do planeta. Atualmente estes gases continuam a acumular-se na atmosfera e no oceano. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, em inglês), um aumento de 1,5°C na temperatura média da superfície global é um limite além do qual as alterações climáticas terão consequências devastadoras, (UNFCCC, 2021).

Aumento da Temperatura Global

A temperatura média da superfície do planeta aumentou cerca de 1,18 ºC desde o final do século XIX, uma mudança impulsionada em grande parte pelo aumento das emissões de dióxido de carbono na atmosfera e outras atividades humanas.

Sabias que...?
A maior parte do aquecimento ocorreu nos últimos 40 anos, sendo os 7 anos mais recentes os mais quentes. Os anos de 2016 e 2020 estão empatados como o ano mais quente já registado (NASA, 2021).

A subida da temperatura tem estado a acelerar nos últimos anos de uma forma mais rápida na Europa que no resto do mundo, de acordo com dados do sistema europeu de monitorização ambiental Copernicus.

A Terra armazena 90% da energia extra no oceano, o qual absorveu muito desse aumento de calor, com os 100 metros superiores do oceano a registar um aquecimento de mais de 0,33 ºC desde 1969. 

Dica:

Degelo

Os glaciares europeus estão a descongelar maciçamente desde 1997, tendo perdido entre 7 e 23 metros de espessura. Desde os anos 70 do século XX já desapareceu cerca de metade da camada de gelo que cobria o Ártico no verão. Estima-se que derreta por completo nas próximas décadas se não se cortarem as emissões de GEE e os termómetros subirem globalmente 3-5ºC (Expresso, 2018).

Os mantos de gelo da Gronelândia e da Antártica diminuíram em massa. Dados da NASA mostram que a Groenlândia perdeu uma média de 279 biliões de toneladas de gelo por ano entre 1993 e 2019, enquanto a Antártica perdeu cerca de 148 biliões de toneladas de gelo por ano. 

Dica:
Assista aos vídeos: 

Subida do Nível do Mar

O degelo e o aumento da temperatura da água (que faz expandir o volume) têm feito subir o nível médio dos oceanos, “roubando” terra em vários pontos do globo. O nível médio do mar subiu 15 milímetros entre 2014 e 2016, o que equivale a cinco vezes mais do que a tendência registada desde 1993. Cinco pequenas ilhas do Arquipélago das Ilhas Salomão, no Oceano Pacífico, já foram engolidas pelo mar. As ilhas Fiji ou Tuvalu podem desaparecer já em 2050. Nos próximos 30 anos, mais de um milhão de pessoas destas ilhas serão forçadas a migrar. Se nada se fizer para inverter a trajetória atual, as projeções apontam para um subida média de 2 metros do nível médio do mar até 2100. Com dois terços das principais cidades do mundo localizadas em zonas costeiras baixas, cerca de 500 milhões de pessoas podem ser afetadas. Partes de cidades como Nova Iorque ou Lisboa vão ficar submersas (Expresso, 2018). 

Dica:

Ondas de Calor e Secas

As secas e ondas de calor triplicaram nos últimos 50 anos na Europa. Em 2017, a Europa foi afetada por várias ondas de calor: duas em Portugal e cinco em França e Espanha. Na Bacia do Mediterrâneo os termómetros chegaram a ultrapassar os 40°C e a onda de calor estendeu-se por mais de 40 dias. Em 2018, também a Escandinávia e o Norte da Europa assistiram a ondas de calor e períodos de seca. Em junho de 2021 as temperaturas no Canadá atingiram 49,6 ºC, um novo recorde que foi registado em Lytton, Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) a onda de calor causou incêndios que destruíram a área, localizada na Colúmbia Britânica. 

No futuro, as ondas de calor podem prolongar-se ainda mais no tempo, afetando a saúde humana, provocando seca extrema, desertificação de solos, escassez de água, mais incêndios e crises na produção agrícola. Em 2090, a superfície de terra sob seca extrema, que hoje ocupa uma área de 1-3%, pode estender-se por 30% da superfície da Terra (Expresso, 2018).

Segundo um relatório da ONU (2021), a seca, uma “crise global escondida”, poderá tornar-se na próxima pandemia, mas com uma pequena diferença: não haverá cura, quer em países desenvolvidos como em desenvolvimento. 

Eventos Extremos

O aumento das temperaturas acima de 2°C até final do século conduz a maior concentração de vapor de água na atmosfera, o que pode provocar tanto escassez de precipitação anual como chuvas torrenciais concentradas no tempo, com consequentes inundações e deslizamentos de terra. Eventos como furacões e tufões também tenderão a ser mais repetitivos e intensos, já que as temperaturas da superfície dos oceanos vão subir, fazendo aumentar a energia que os forma. Em 2018 houve 70 ciclones no Hemisfério Norte, o que está acima da média (53). Mais de 2,4 milhões de pessoas foram afetadas. Só em 2017 chuvas torrenciais e inundações afetaram mais de 5,4 milhões de pessoas. No sueste da Índia, 1,4 milhões foram deslocadas devido a estes eventos extremos. No Japão, milhares de casas foram destruídas e pelo menos 230 pessoas morreram. Também a zona do Mediterrâneo foi fortemente afetada por enxurradas designadamente em zonas de Itália e nas ilhas Baleares (Expresso, 2018).

Julho de 2021 as cheias no centro da Europa, no balanço mais recente dá-se conta de pelo menos 183 mortes na Alemanha e 27 na Bélgica na sequência destas inundações. A polícia estima que 700 pessoas estejam desaparecidas.

O QUE PODEMOS ESPERAR?

O Acordo de Paris prevê um travão ao aquecimento global até ao fim do século para manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2.ºC em relação à era pré-industrial, preferencialmente 1,5ºC, mas a OMM afirma que há 20 % de probabilidade de a temperatura média mundial aumentar 1,5ºC já em 2024.

Quanto aos gases de efeito estufa, as concentrações continuaram a aumentar em 2019 e 2020. As concentrações do dióxido de carbono ultrapassaram 410 ppm. A manter-se o padrão dos anos anteriores, receia-se que o mesmo atinja ou ultrapasse 414 ppm em 2021.

A desaceleração económica como efeito da pandemia reduziu temporariamente as novas emissões de GEE, mas não teve impacto percetível nas concentrações atmosféricas (OMM, 2021). Estado do Clima Global 2020 
 

NA BIODIVERSIDADE

As alterações climáticas também são responsáveis por uma redução da biodiversidade em geral, com o mundo a assistir a uma taxa de extinção de diferentes espécies 100 vezes superior à norma. Os cientistas temem que se esteja a assistir à sexta extinção em massa da história do planeta. Em 2100, 30% a 50% das espécies terrestres e marinhas podem estar extintas, afetando também a sobrevivência da espécie humana. Só na última década, os oceanos absorveram 25% das emissões de CO2, que ao reagirem com a água do mar provocam a acidificação dos oceanos, o que está a matar os corais e muitos organismos marinhos. 

A acidificação e desoxigenação dos oceanos continuaram impactando os ecossistemas, a vida marinha e a pesca.

O documento também destaca os impactos no desenvolvimento socioeconómico, da migração e deslocamento, da segurança alimentar e dos ecossistemas terrestres e marinhos.

NA SOCIEDADE

As alterações climáticas são um problema de saúde e os sistemas de saúde têm de se preparar para os efeitos dos fenómenos climáticos extremos. O clima é um multiplicador de riscos, com um efeito perverso onde os menos responsáveis pelo problema são os mais vulneráveis a riscos ambientais. Os pobres vão sofrer os primeiros impactos, mas a Covid prova que que nenhum país está a salvo de uma crise (Jonathan Patz, Visão Verde, 2021).

Cada vez mais estudos alertam para o facto de as alterações climáticas poderem pôr em perigo a saúde, tanto física como mental, agora e no futuro, não só das pessoas que foram atingidas diretamente por um fenómeno extremo, mas também das restantes pessoas.

O documento Estado do Clima Global 2020, também destaca os impactos no desenvolvimento socioeconómico, da migração e deslocamento, da segurança alimentar e da saúde.

Os impactos negativos do “El Niño” nesse ano na agricultura afetaram mais de 60 milhões de pessoas, segundo a Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO). A exposição do sector agrícola a extremos climáticos, como ondas de calor e secas, já conduziu a um aumento da fome no mundo: estima-se que em 2017 havia 821 milhões de pessoas malnutridas.

Segundo a OMS, controlar as emissões de GEE significa reduzir a poluição e com isso salvar a vida a milhões de pessoas. Dados da mesma organização indicam que a poluição do ar já é responsável por sete milhões de mortes anualmente no mundo, o que leva a perdas económicas de mais de cinco biliões de euros globalmente. Aliás, nos 15 países com maiores emissões de GEE, os impactos da poluição na saúde equivalem a cerca de 4% do PIB. Já mitigar as emissões cumprindo o acordo de Paris só custa 1% do PIB.

SABIAS QUE…?

Segundo o alto-comissariado da ONU para os refugiados, estima-se que 19 milhões de pessoas foram deslocadas em 2015 devido a fenómenos associados ao clima, escassez de água e eventos geofísicos. 

Os impactos negativos do “El Niño” nesse ano na agricultura afetaram mais de 60 milhões de pessoas, segundo a Agência da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO). A exposição do sector agrícola a extremos climáticos, como ondas de calor e secas, já conduziu a um aumento da fome no mundo: estima-se que em 2017 havia 821 milhões de pessoas malnutridas.

Segundo a OMS, controlar as emissões de GEE significa reduzir a poluição e com isso salvar a vida a milhões de pessoas. Dados da mesma organização indicam que a poluição do ar já é responsável por sete milhões de mortes anualmente no mundo, o que leva a perdas económicas de mais de cinco biliões de euros globalmente. Aliás, nos 15 países com maiores emissões de GEE, os impactos da poluição na saúde equivalem a cerca de 4% do PIB. Já mitigar as emissões cumprindo o acordo de Paris só custa 1% do PIB.

Fontes Consultadas

Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - https://apambiente.pt/

CDP - Disclosure Insight Action - https://www.cdp.net/en

Climate ADAPT - https://climate-adapt.eea.europa.eu/

Comissão Europeia – https://ec.europa.eu/info/index_en

Copernicus - https://www.copernicus.eu/en

European Environment Agency (EEA) - https://www.eea.europa.eu/

Expresso - https://expresso.pt/

 

Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) - http://www.fao.org/home/en/

NASA - https://www.nasa.gov/

Organização das Nações Unidas (ONU) - https://unric.org/pt/

Organização Meteorológica Mundial - https://news.un.org/pt/tags/omm

Público - https://www.publico.pt/

United Nations Climate Change (UNFCCC) - https://unfccc.int/

Visão Verde - https://visao.sapo.pt/visao_verde/clima/2021-03-18-quais-os-efeitos-das-alteracoes-climaticas-na-saude/

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